A pecuária é responsável por 14,5% das emissões de gases de efeito
estufa provocadas pelo homem, anunciou hoje (26) a Organização das
Nações Unidas (ONU), ao estimar que a generalização de práticas já
existentes permitiria reduzir essas emissões em 30%.
A conclusão é da agência das Nações Unidas para a Alimentação e a
Agricultura (FAO), que hoje lança o relatório Lidar com as Alterações
Climáticas através da Pecuária: Uma Avaliação Global das Emissões e das
Oportunidades de Mitigação, que a organização diz ser a mais vasta
análise feita até hoje do impacto da produção animal para o aquecimento
global.
Segundo a FAO, as principais fontes das emissões são a produção e
processamento de alimento (45% do total), as emissões produzidas pela
digestão das vacas (39%) e a decomposição do estrume (10%). O resto é
atribuído ao processamento e transporte dos produtos animais.
Todas juntas, as emissões de gases de efeito estufa resultantes da
pecuária equivalem a 7,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por
ano, ou seja, 14,5% de todas as emissões produzidas pela atividade
humana.
A agência da ONU, sediada em Roma, conclui ainda que a aplicação mais
generalizada de métodos já existentes, incluindo a mudança da dieta dos
animais e uma produção mais eficiente dos alimentos para o gado,
permitiriam reduzir as emissões em 30%.
“Essas descobertas mostram que o potencial de melhoria do desempenho
ambiental do setor é significativo”, disse Ren Wang, diretor adjunto da
FAO para a Agricultura e a Proteção do Consumidor.
Ele diz ser “imperativo agir agora” para reduzir as emissões do
setor, uma vez que a procura de carne e de leite aumenta de forma muito
rápida, em especial nos mercados emergentes.
Fonte: Agência Brasil – EBC
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Construção de rodovias no governo militar matou cerca de 8 mil índios
Projetos de governos militares são investigados pela Comissão da
Verdade. Maior parte das mortes, em quatro frentes de construção de
rodovias, não foi registrada.
As investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) pela região Amazônica indicam um verdadeiro genocídio de índios durante o período da ditadura militar. Não há como falar em um número exato de mortos devido à falta de registros. Os relatos colhidos, no entanto, apontam que cerca de oito mil índios foram exterminados em pelo menos quatro frentes de construção de estradas no meio da mata, projetos tocados com prioridade pelos governos militares na década de 1970.
Os trabalhos da Comissão da Verdade miram os processos de construção e o início do funcionamento das rodovias BR-230, conhecida como Transamazônica; a BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, a BR-210, conhecida com Perimetral Norte e a BR 163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA).
Essas estradas fizeram parte do Plano Nacional de Integração (PIN), instituído pelo presidente Emílio Garrastazu Médici, em 16 de julho de 1970, e que previa que 100 quilômetros em cada lado das estradas a serem construídas deveriam ser destinados à colonização. A intenção do governo era assentar cerca de 500 mil pessoas em agrovilas que seriam fundadas.
Transamazônica
A Transamazônica foi escolhida como prioridade e, por isso, representou uma verdadeira tragédia para 29 grupos indígenas, dentre eles, 11 etnias que viviam completamente isoladas. Documentos em poder da Comissão da Verdade apontam, por exemplo, o extermínio quase que total dos índios Jiahui e de boa parte dos Tenharim. O território dessas duas etnias está localizado no sul do Estado do Amazonas, no município de Humaitá.
O Ministério Público Federal no Amazonas também abriu um inquérito para apurar as violações de direitos humanos cometidas contra esses povos no período da ditadura militar. Os documentos indicam ainda que indígenas sobreviventes acabaram envolvidos nas obras em regime de escravidão.
Atualmente, a população Jiahui, de acordo com a Fundação Nacional do
Índio (Funai), não chega a 90 índios. Antes da construção da estrada,
eram mais de mil. Já os Tenharim somam hoje 700 pessoas. Eram mais de
dois mil antes da chegada das frentes de construção.
Matança
Entre as práticas de violência contra índios já identificadas estão as “correrias”, expedições de matança de índios organizadas até o final da década de 1970, principalmente no sul do Amazonas e no Acre. Essa prática foi detalhada no primeiro relatório do Comitê Estadual da Verdade do Amazonas, um documento de 92 páginas, ao qual o iG teve acesso.
O relatório descreve a matança do povo Waimiri-Atroari, que habitava até 1967 a região entre Manaus e o município de Caracaraí, em Roraima. A região corresponde à parte norte do vale do rio Urubu e inclui os rios Uatumã, Curiuaú, Camanaú, Alalaú, todos no Amazonas, além dos rios Jauapery e Anauá, em todo Estado de Roraima, até a fronteira com a Guiana. Esse povo foi diretamente impactado pela construção da BR-174.
“Muitos dos episódios de ‘correrias’ tiveram a participação direta de agentes públicos”, aponta o relatório elaborado pelos coordenadores do comitê local, Egydio Schwade e Wilson Braga Reis.
“Pais, mães e filhos mortos, aldeias destruídas pelo fogo e por bombas. Gente resistindo e famílias correndo pelos varadouros à procura de refúgio em aldeia amiga. A floresta rasgada e os rios ocupados por gente agressiva e inimiga. Esta foi a geografia política e social vivenciada pelo povo Kiña desde o inicio da construção da BR-174 em 1967 até sua inauguração em 1977”, descreve no documento. O termo “Kiña” é uma outra denominação para os Waimiri-Atroari.
O relatório também informa que, entre os povos mais duramente atacados em “correrias”, estão os Kaxinawa e os Madiha no Acre, além do povo Juma, no sul do Amazonas.
Lista de mortos
O relatório também pede mais investigação sobre o desaparecimento dos índios Piriutiti e sobre o que ocorreu com outras etnias durante a execução das grandes obras do governo militar. “Documentos apontam também para o genocídio do grupo Piriutiti, na mesma região, que merece uma investigação mais específica”, diz o texto.
Para Schwade, a investigação da Comissão Nacional da Verdade sobre a violência sofrida por índios terá que apontar o que ocorreu com os Cinta Larga e Suruí, na região dos rios Aripuanã e Rooswelt, entre Rondônia e Mato Grosso; os Krenhakarore do rio Peixoto de Azevedo, na rodovia Cuiabá-Santarém (conhecidos como Índios Gigantes); os Kanê ou Beiços-de-Pau do Rio Arinos no Mato Grosso; os Avá-Canoeiro em Goiás; Parakanã e Arara no Pará, entre outros, em função dos projetos políticos e econômicos da Ditadura.
Restrição de informação
De acordo com Schwade, apesar de o episódio ser relativamente recente e ter ocorrido bem próximo à capital amazonense, a cerca de 200 quilômetros, as pessoas sabem menos dessa matança do que sobre os massacres acontecidos aos mesmos índios há 150 anos. “Apesar da farta documentação existente, que comprova o exercício de uma política genocida, instalou-se junto ao povo Wamiri-Atroari um programa de controle da informação”, aponta. Os militares, de acordo Schwade, mantiveram afastados do local indigenistas, cientistas e jornalistas. “Não houve acesso, a não ser dos que tinham vinculação com os interesses empresariais instalados no território indígena”, denunciou.
O conluio de agentes públicos com empresários e fazendeiros ligados a lideranças políticas locais é outro ponto observado por técnicos da Comissão da Verdade que estiveram na Amazônia para colher informações. Onde as frentes para a abertura de estradas chegaram, também chegaram os fazendeiros, que se instalaram demarcando latifúndios em terras antes pertencentes aos índios.
Yanomamis
A construção da rodovia Perimetral Norte também é objeto de estudo da Comissão da Verdade. A obra representou um desastre para o povo Yanomami e estima-se que pelo menos dois mil índios dessa etnia tenham sido exterminados no período. Uma avaliação da Comissão da Verdade indica que o desastre só não foi maior porque o governo militar não chegou a concluir a obra. Com isso, muitas aldeias acabaram preservadas, já que o projeto da estrada, que cortava inteiramente o território Yanomami, não foi executado na integralidade.
O traçado planejado para a rodovia passava pelos Estados de Amazonas, Pará, Amapá e Roraima. A proposta era cortar toda a Amazônia brasileira, desde o Amapá até a fronteira colombiana no Estado do Amazonas. Até hoje, somente um trecho, em Roraima, com pouco mais de 400 quilômetros, e outro no Amapá, com cerca de 100 quilômetros, foram construídos.
Embora o trecho executado seja considerado relativamente pequeno, a construção foi capaz de exterminar, quase que por completo, os índios Yawarip, um subgrupo Yanomami, na década de 1970. Mais tarde, a publicidade dada no governo militar ao grande potencial mineral do território Yanomami desencadeou a instalação de garimpos ilegais nas terras dos índios, o que provocou mais destruição.
Prazo
A avaliação preliminar da Comissão da Verdade é de que os relatos sobre a violência indígenas são muitos, mas ainda pulverizados. De acordo com técnicos, o desafio da comissão para finalizar um texto capaz de promover consequências jurídicas está em estabelecer uma narrativa dos fatos. Diante desse desafio, os conselheiros da Comissão da Verdade estudam pedir novamente um prazo à presidente Dilma Rousseff para a apresentação do relatório final, pelo menos em relação ao tema indígena.
As três estradas estão sendo usadas como eixos da investigação, no entanto, os técnicos e conselheiros querem ainda contemplar no documento aspectos importantes como a militarização, na época, dos órgãos encarregados de proteger os índios. No caso, esse orgão seria a Fundação Nacional do Índio (Funai).
Outro ponto importante do texto será o de estabelecer a cadeia de comando. Como os militares alegam que muitos documentos foram destruídos, fica quase impossível para comissão indicar de quem partiram as ordens para os ataques. A ideia é, nesse caso, que o texto indique quem ocupava cargos importantes na hierarquia militar em determinados Estados, municípios ou frentes de trabalho e que, pela rígida hierarquia militar, teria que ordenar ou consentir os ataques.
Por: Luciana Lima
Fonte: IG
As investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) pela região Amazônica indicam um verdadeiro genocídio de índios durante o período da ditadura militar. Não há como falar em um número exato de mortos devido à falta de registros. Os relatos colhidos, no entanto, apontam que cerca de oito mil índios foram exterminados em pelo menos quatro frentes de construção de estradas no meio da mata, projetos tocados com prioridade pelos governos militares na década de 1970.
Os trabalhos da Comissão da Verdade miram os processos de construção e o início do funcionamento das rodovias BR-230, conhecida como Transamazônica; a BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, a BR-210, conhecida com Perimetral Norte e a BR 163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA).
Essas estradas fizeram parte do Plano Nacional de Integração (PIN), instituído pelo presidente Emílio Garrastazu Médici, em 16 de julho de 1970, e que previa que 100 quilômetros em cada lado das estradas a serem construídas deveriam ser destinados à colonização. A intenção do governo era assentar cerca de 500 mil pessoas em agrovilas que seriam fundadas.
Transamazônica
A Transamazônica foi escolhida como prioridade e, por isso, representou uma verdadeira tragédia para 29 grupos indígenas, dentre eles, 11 etnias que viviam completamente isoladas. Documentos em poder da Comissão da Verdade apontam, por exemplo, o extermínio quase que total dos índios Jiahui e de boa parte dos Tenharim. O território dessas duas etnias está localizado no sul do Estado do Amazonas, no município de Humaitá.
O Ministério Público Federal no Amazonas também abriu um inquérito para apurar as violações de direitos humanos cometidas contra esses povos no período da ditadura militar. Os documentos indicam ainda que indígenas sobreviventes acabaram envolvidos nas obras em regime de escravidão.
Grupo
Planejamento e Gestão do Território na Amazônia – UFAM Mapa da Terra
Indígena decretada por Figueiredo em 1981. Grupos indígenas foram os
mais prejudicados pela política de ocupação da Amazônia no regime
militar
Matança
Entre as práticas de violência contra índios já identificadas estão as “correrias”, expedições de matança de índios organizadas até o final da década de 1970, principalmente no sul do Amazonas e no Acre. Essa prática foi detalhada no primeiro relatório do Comitê Estadual da Verdade do Amazonas, um documento de 92 páginas, ao qual o iG teve acesso.
O relatório descreve a matança do povo Waimiri-Atroari, que habitava até 1967 a região entre Manaus e o município de Caracaraí, em Roraima. A região corresponde à parte norte do vale do rio Urubu e inclui os rios Uatumã, Curiuaú, Camanaú, Alalaú, todos no Amazonas, além dos rios Jauapery e Anauá, em todo Estado de Roraima, até a fronteira com a Guiana. Esse povo foi diretamente impactado pela construção da BR-174.
“Muitos dos episódios de ‘correrias’ tiveram a participação direta de agentes públicos”, aponta o relatório elaborado pelos coordenadores do comitê local, Egydio Schwade e Wilson Braga Reis.
“Pais, mães e filhos mortos, aldeias destruídas pelo fogo e por bombas. Gente resistindo e famílias correndo pelos varadouros à procura de refúgio em aldeia amiga. A floresta rasgada e os rios ocupados por gente agressiva e inimiga. Esta foi a geografia política e social vivenciada pelo povo Kiña desde o inicio da construção da BR-174 em 1967 até sua inauguração em 1977”, descreve no documento. O termo “Kiña” é uma outra denominação para os Waimiri-Atroari.
O relatório também informa que, entre os povos mais duramente atacados em “correrias”, estão os Kaxinawa e os Madiha no Acre, além do povo Juma, no sul do Amazonas.
Lista de mortos
O relatório também pede mais investigação sobre o desaparecimento dos índios Piriutiti e sobre o que ocorreu com outras etnias durante a execução das grandes obras do governo militar. “Documentos apontam também para o genocídio do grupo Piriutiti, na mesma região, que merece uma investigação mais específica”, diz o texto.
Para Schwade, a investigação da Comissão Nacional da Verdade sobre a violência sofrida por índios terá que apontar o que ocorreu com os Cinta Larga e Suruí, na região dos rios Aripuanã e Rooswelt, entre Rondônia e Mato Grosso; os Krenhakarore do rio Peixoto de Azevedo, na rodovia Cuiabá-Santarém (conhecidos como Índios Gigantes); os Kanê ou Beiços-de-Pau do Rio Arinos no Mato Grosso; os Avá-Canoeiro em Goiás; Parakanã e Arara no Pará, entre outros, em função dos projetos políticos e econômicos da Ditadura.
Mapa dos limites da Terra Indígena decretada por Médici em julho de 1971 e área grilada em favor de empresários
De acordo com Schwade, apesar de o episódio ser relativamente recente e ter ocorrido bem próximo à capital amazonense, a cerca de 200 quilômetros, as pessoas sabem menos dessa matança do que sobre os massacres acontecidos aos mesmos índios há 150 anos. “Apesar da farta documentação existente, que comprova o exercício de uma política genocida, instalou-se junto ao povo Wamiri-Atroari um programa de controle da informação”, aponta. Os militares, de acordo Schwade, mantiveram afastados do local indigenistas, cientistas e jornalistas. “Não houve acesso, a não ser dos que tinham vinculação com os interesses empresariais instalados no território indígena”, denunciou.
O conluio de agentes públicos com empresários e fazendeiros ligados a lideranças políticas locais é outro ponto observado por técnicos da Comissão da Verdade que estiveram na Amazônia para colher informações. Onde as frentes para a abertura de estradas chegaram, também chegaram os fazendeiros, que se instalaram demarcando latifúndios em terras antes pertencentes aos índios.
Yanomamis
A construção da rodovia Perimetral Norte também é objeto de estudo da Comissão da Verdade. A obra representou um desastre para o povo Yanomami e estima-se que pelo menos dois mil índios dessa etnia tenham sido exterminados no período. Uma avaliação da Comissão da Verdade indica que o desastre só não foi maior porque o governo militar não chegou a concluir a obra. Com isso, muitas aldeias acabaram preservadas, já que o projeto da estrada, que cortava inteiramente o território Yanomami, não foi executado na integralidade.
O traçado planejado para a rodovia passava pelos Estados de Amazonas, Pará, Amapá e Roraima. A proposta era cortar toda a Amazônia brasileira, desde o Amapá até a fronteira colombiana no Estado do Amazonas. Até hoje, somente um trecho, em Roraima, com pouco mais de 400 quilômetros, e outro no Amapá, com cerca de 100 quilômetros, foram construídos.
Embora o trecho executado seja considerado relativamente pequeno, a construção foi capaz de exterminar, quase que por completo, os índios Yawarip, um subgrupo Yanomami, na década de 1970. Mais tarde, a publicidade dada no governo militar ao grande potencial mineral do território Yanomami desencadeou a instalação de garimpos ilegais nas terras dos índios, o que provocou mais destruição.
Prazo
A avaliação preliminar da Comissão da Verdade é de que os relatos sobre a violência indígenas são muitos, mas ainda pulverizados. De acordo com técnicos, o desafio da comissão para finalizar um texto capaz de promover consequências jurídicas está em estabelecer uma narrativa dos fatos. Diante desse desafio, os conselheiros da Comissão da Verdade estudam pedir novamente um prazo à presidente Dilma Rousseff para a apresentação do relatório final, pelo menos em relação ao tema indígena.
As três estradas estão sendo usadas como eixos da investigação, no entanto, os técnicos e conselheiros querem ainda contemplar no documento aspectos importantes como a militarização, na época, dos órgãos encarregados de proteger os índios. No caso, esse orgão seria a Fundação Nacional do Índio (Funai).
Outro ponto importante do texto será o de estabelecer a cadeia de comando. Como os militares alegam que muitos documentos foram destruídos, fica quase impossível para comissão indicar de quem partiram as ordens para os ataques. A ideia é, nesse caso, que o texto indique quem ocupava cargos importantes na hierarquia militar em determinados Estados, municípios ou frentes de trabalho e que, pela rígida hierarquia militar, teria que ordenar ou consentir os ataques.
Por: Luciana Lima
Fonte: IG
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Portaria do Ibama estabelece novos critérios para o Programa Quelônios da Amazônia
Com intuito de reestruturar o Programa Quelônios da Amazônia – PQA, o Ibama publicou nesta última segunda-feira(22/7), a Portaria nº15 de 19 de julho de 2013 no Diário Oficial da União - Seção I, página 140.
Com essa nova apresentação institucional do Programa pretende-se alavancar o processo de reestruturação de suas ações nos dez estados participantes de forma padronizada e coesa, firmando compromisso com novos desafios, utilizando o PQA como um instrumento de política pública que ajude a construir e promover um paradigma ambiental socialmente mais justo.
A estrutura para colocar em marcha essa proposta consiste na descentralização da prestação dos serviços, por estados e municípios, com a supervisão técnica, gestão estratégica e integrada do PQA; orientação do manejo na natureza; manejo em sistemas controlados (comunidades e empreendedores); fiscalização de áreas; fiscalização e acompanhamento do sistema de criação (manejo controlado); fortalecimento de parcerias; desenvolvimento de tecnologias; pesquisas associadas ao manejo; integração e desenvolvimento institucional; revisão de legislação; turismo integrado e educação ambiental permanente assegurando dessa forma os processos de conservação dos quelônios, por meio da construção de modelos de uso sustentável com foco na inclusão social das comunidades ribeirinhas e na manutenção de processos ecológicos básicos e, consequentemente, promoção da melhoria da qualidade ambiental.
Ascom/Ibama
Colaborou – Taciana Sherlock
Foto: Ibama
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Filhote de suçuarana é resgatada na Amazônia
Elioenai Paes , iG São Paulo |
O animal de cinco meses está sendo cuidado pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e espera que um zoológico o adote
Uma suçuarana fêmea de cinco meses foi resgatada em cativeiro no interior do Amazonas. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) fez o resgate do bicho, que estava sendo tratado como animal doméstico.
O felino não poderá voltar ao seu habitat natural porque já passou por cativeiro, o que impossibilita sua sobrevivência fora dele.
Gretchen, como a filhote foi batizada agora ganhou um lar provisório, o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Rondônia e aguardaque um zoológico ou alguma instituição especializada a adote.
A oncinha é alimentada com duas porções de 200 gramas de carne misturada com leite ao dia. Quando ela estiver maior, a partir dos seis meses, o leite será excluído e ela será somente carnívora.
Há cerca de um ano houve um caso parecido no Cetas, centro implantado pela usina Santo Antônio Energia. Uma outra suçuarana macho, batizada de Dodge, foi encontrada pelo Ibama a partir de uma denúncia. Hoje o animal se alimenta com seis quilos de carne por semana, sendo divididas em três porções diárias – e seu peso é de mais de 30 quilos.
Madeireira multada pelo Ibama é condenada a 1,4 ano de interdição por crime ambiental no Pará
O Ibama bloqueou, nesta segunda-feira (17/06), o acesso ao mercado madeireiro, por um ano e quatro meses, da Madeball Indústria e Comércio Ltda, localizada em Anapu, no oeste paraense. A madeireira foi condenada pelo juiz José Jonas Lacerda de Sousa, da Comarca de Pacajá, entre outras penas, a interdição temporária das suas atividades por ter sido flagrada pelo órgão ambiental federal com 170 m3 de madeira ilegal em 2007.
Para o Ibama, a sentença inédita, que já foi confirmada na segunda instância pela 2ª Câmara Criminal do Pará, deveria ser adotada como modelo em outros juízos. De acordo com o instituto, a Procuradoria Federal Especializada (PFE), órgão da Advocacia Geral da União que assessora juridicamente o Ibama, vai usar o precedente e solicitar via Ação Civil Pública a interdição judicial de outras empresas reincidentes em multas e embargos ambientais.
“Esperamos que, futuramente, para cada multa do Ibama haja uma condenação correspondente na esfera criminal, como é o ideal. E que, além de mais frequentes, as decisões da Justiça se tornem também mais rigorosas, ao ponto de suspender permanentemente as atividades de empresas que exploram recursos ambientais e são repetidamente multadas e embargadas pelo instituto”, disse o superintendente do Ibama no Pará, Hugo Américo.
O histórico da Madeball no Ibama soma oito autuações, entre 2005 e 2007, que totaliza mais de R$ 1,5 milhão em multas por armazenar, vender e transportar madeira ilegal.
Ação bem-sucedida
A condenação na esfera criminal decorreu de uma multa aplicada pelo Ibama em 2007. O valor foi de R$ 34,1 mil , em razão da Madeball ter sido flagrada com o equivalente a oito caminhões cheios de madeira sem origem legal em depósito. Na época, o Ibama denunciou o crime ambiental ao Ministério Público Estadual que abriu a ação criminal no ano seguinte. Em junho de 2011, o juízo da Comarca de Pacajá condenou a Madeball ao pagamento de R$ 20 mil a uma entidade social e a suspensão das suas atividades por dois anos, além de multa de R$ 6,7 mil a ser revertida ao Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). A madeireira recorreu contra a decisão e, em abril de 2012, a 2ª Câmara Criminal reformulou a sentença, reduzindo o período de interdição e mantendo apenas a multa ao FNMA . Em maio de 2013, o Judiciário comunicou a decisão à PFE junto ao Ibama.
Legenda das fotos: Madeira ilegal apreendida antes de chegar às madeireiras em operação do Ibama no início do ano em Anapu, Pará
Fotos: Nicélio Silva / Ibama Divulgação

Operação Floresta Caxiuanã interrompe extração ilegal de madeira em APP na Ilha do Marajó
Uma grande extração irregular de madeira foi embargada pelo Ibama durante a Operação Floresta Caxiuanã, neste domingo (09/06), em plena área de preservação permanente, às margens do igarapé Pacaputeira, na região do Marajó, no Pará. Na ação, foram apreendidos 950 m³ de madeira em tora (o equivalente a 47 caminhões cheios), dois caminhões, dois tratores, duas pás-carregadeiras, um gerador de energia, uma motosserra e uma balsa com rebocador.
O responsável da exploração ilegal na mata ciliar foi autuado em R$ 285 mil pelo depósito das madeiras e ainda será multado pelo tamanho da área de floresta danificada, após a conclusão da fiscalização. Os bens foram entregues à prefeitura de Portel e a madeira doada sumariamente ao município para ações sociais.
A Operação Floresta Caxiuanã acontece desde quarta-feira (05/06) em Portel, Melgaço e Breves, na região do Marajó. Além dos crimes ambientais, há ações de combate à pirataria, ao tráfico de drogas, contrabando e à prostituição infanto-juvenil. Participam da operação conjunta, além do Ibama, Grupamento Fluvial de Segurança Pública (GFlu), Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema), Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) e o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).
Madeireiras também estão sendo fiscalizadas para verificar se o volume de produto florestal negociado no sistema Sisflora é compatível com o tamanho das empresas, visando reprimir o esquentamento de madeira ilegal. Duas empresas, cujas estruturas físicas eram incompatíveis com a movimentação de toras declaradas, já foram bloqueadas pelo Ibama.
Foram apreendidos ainda um barco com 50 m³ de madeira serrada irregular, na baía de Melgaço, e uma balsa flagrada quando descarregava 300 m³ de toras em uma serraria em Portel. Um macaco guariba mantido em cativeiro sem autorização do órgão ambiental foi resgatado em uma embarcação na comunidade Acangatá e encaminhado ao Museu Emílio Goeldi, em Belém.

Nelson Feitosa
Jornalista e Analista Ambiental
Ibama reúne Onda Verde e Hileia Pátria no combate a desmates no oeste do Pará
O Ibama intensificou a fiscalização na região de Novo Progresso, que inclui o sul de Itaituba e Altamira, no oeste paraense. O efetivo de homens em ação na maior frente de desmatamento no Pará dobrou nesta quarta-feira (12/06) com a chegada da Operação Hileia Pátria, que atuará em conjunto com a Operação Onda Verde, já em campo no estado desde fevereiro.
A primeira leva da Hileia Pátria trouxe 46 agentes do Ibama, 60 homens do Exército Brasileiro, 10 da Força Nacional, oito da Policia Militar do Pará e dois do Sistema de Proteção da Amazônia. O reforço se soma a mais de uma dezena de agentes da Onda Verde em atuação. Coordenado pelo Ibama, o novo efetivo será envolvido, principalmente, na montagem de duas bases fixas de fiscalização em áreas críticas de desmatamento. Uma em Trairão e outra em Castelo dos Sonhos, com objetivo de reprimir novas derrubadas nas florestas ao longo da rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém).
“Grande parte dos alertas de desmates está surgindo nestes distritos por conta da especulação em terras públicas. Esse crescimento exigiu mais logística para a apreensão e retirada de bens utilizados nos crimes contra o meio ambiente. Esperamos aumentar as apreensões e descapitalizar os infratores”, explicou o chefe da Fiscalização do Ibama no Pará, Paulo Maués.
Além da segurança, o Exército vai apoiar o Ibama na retirada dos bens apreendidos nas fiscalizações. Os militares enviarão à BR-163 máquinas e equipamentos para reforçar a logística de retirada de tratores, caminhões, retroescavadeiras hidráulicas usadas em garimpos ilegais e madeira irregular.
A área de influência de Novo Progresso responde por cerca de 70% de todo o desmatamento no Pará. Dos 42,9 mil hectares de alertas de desmates no estado, sinalizados pelo sistema Deter entre agosto de 2012 e abril de 2013, mais de 30,1 mil hectares de florestas foram destruídos nessa região.

Nelson Feitosa
Jornalista e Analista Ambiental
Assinar:
Postagens (Atom)