quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Belo Monte ameaça maior sítio de desova de tartarugas da América do Sul

O maior sítio de desova de quelônios da América do Sul corre o risco de deixar de existir em razão da construção da UHE Belo Monte.  A sobrevivência das tartarugas da Amazônia (Podocnemis expansa) está ameaçada

Tartarugas chegam ao Tabuleiro do Embaubal para depositar seus ovos nas praia do baixo Xingu. Foto: WWF
O maior sítio de desova de quelônios da América do Sul corre o risco de deixar de existir em razão da construção da UHE Belo Monte. A sobrevivência das tartarugas da Amazônia (Podocnemis expansa) está ameaçada.
A apenas 10 quilômetros de distância do canteiro de obras da que pretende ser a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, está o Tabuleiro do Embaubal, no rio Xingu, entre os municípios de Senador José Porfírio e Vitória do Xingu (80 km de Altamira). Todos os anos as tartarugas aparecem. Entre os meses de setembro e novembro, quando o rio está no período de estiagem, elas chegam aos montes a esta praia que se forma na cabeceira do rio, conhecida como tabuleiro.
Numa área de não mais do que três campos de futebol, 20 mil tartarugas da Amazônia buscam abrigo para reproduzir. O espaço é concorrido, são 3 hectares onde a maior tartaruga de água doce da América do Sul – que chega a medir 70 cm de comprimento e a pesar 25 kg – escolhe como sítio de reprodução e coloca em média 120 ovos.
Um fenômeno, para muitos emocionante, que começa a dar seus frutos no início de dezembro – após o período de incubação que leva entre 45 e 55 dias– quando começa a temporada dos nascimentos.
Hidrovia no rio Xingu
Essa espécie natural da bacia amazônica passou rapidamente da categoria de “pouco conhecida” para “ameaçada”. A espécie é utilizada como fonte de recurso há séculos por ribeirinhos tanto para alimentação como para produção de óleo. Antes da energia elétrica, o óleo de tartaruga era usado para iluminar as cidades da Amazônia. Agora o perigo é outro.
“Embarcações e grandes balsas passam pela rota de onde as tartarugas cruzam para chegar ao tabuleiro. Aquela região do Xingu tem sofrido um impacto muito grande dessa obra. O impacto é direto, não é indireto como fala o EIA/Rima (Relatório de Impacto Ambiental)”, disse a ((o))eco Luiz Coltro, do Programa Amazônia da Rede WWF-Brasil, que defende a criação de duas unidades de conservação na região para proteger esta espécie de tartaruga.
O Tabuleiro do Embaubal reúne mais de cem ilhas no trecho final do rio Xingu e, com a inundação de áreas como a Volta Grande em decorrência da UHE de Belo Monte, a barragem poderá reter sedimentos e matéria orgânica apodrecida, importantes para conservar as praias do Embaubal, principal área onde esta espécie de quelônio desova.
“Os grandes tabuleiros que concentravam milhares de tartarugas sumiram, não há mais esse fenômeno na Amazônia. O Embaubal é um remanescente daquilo que se encontrava em termos de tabuleiro, é o maior da bacia amazônica em atividade”, argumentou Coltro.
Um dos impactos diretos sobre a área de desova das tartarugas da Amazônia é a hidrovia que liga Belém – Porto de Moz – Vitória do Xingu. “Nessa hidrovia, temos detectado uma quantidade enorme de cascos de tartarugas destruídos pelo impacto de hélices de barcos, rebocadores e balsas gigantescas que passam na frente do tabuleiro, bem na rota por onde as tartarugas cruzam”, comentou.
Segundo o analista de conservação, além do aumento de casos de atropelamento das tartarugas, o volume de vazamento de óleo diesel no rio Xingu tem sido identificado com frequência. “Em determinadas épocas do ano o rio tem uma coloração diferente”.
Há cerca de dois anos, um novo fenômeno foi observado, por não encontrarem lugares seguros para a desova, as tartarugas soltam os ovos em pleno rio. “A tartaruga precisa de um lugar tranquilo, ela observa durante dias o tabuleiro para ter certeza de que aquele lugar oferece segurança para colocar os ovos. O processo todo leva quatro horas. Nessa época do ano, a gente evita ao máximo andar pelo tabuleiro. Mas com o fluxo descomunal de embarcações gigantes que carregam caminhões, a tartaruga simplesmente solta os ovos na água. É uma estratégia de autopreservação”, explicou.
Menos peixe
Desde o início das obras da hidrelétrica, foi observado um forte avanço de grilagem e invasão de terras em matas ribeirinhas no rio Xingu, sem contar a sobrepesca na região.
“A pesca está muito além da capacidade. Os pescadores da região estão reclamando que há anos pescavam cerca de 120 kg de peixe e, hoje, não pescam mais que 30 kg. Cada vez mais está escasseando peixe no rio”, lamentou.
A área do Embaubal, segundo Coltro, já teria sido inclusive alvo de estudos do Ministério de Meio Ambiente que reconhecera esta como uma área prioritária para conservação pela diversidade biológica que abriga e por sua importância socioeconômica, incluindo seu potencial turístico.
O Tabuleiro do Embaubal e suas ilhas adjacentes foram ainda objetos de amparo legal do Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Estado, com proposta para criação de uma unidade de conservação do grupo de proteção integral (Lei nº 6.745/ 2005). O programa de Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira classificou a região como prioridade de ação em categoria extremamente alta, com ocorrência de espécies ameaçadas, endêmicas e migratórias.
Duas novas Ucs
A expectativa, aponta o analista de conservação, é que neste primeiro semestre de 2014, poderão ser oficializadas a criação do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) de proteção integral das cerca de 20 mil tartarugas da Amazônia (Podocnemis expansa) e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS).
As duas Ucs estaduais somam 27 mil hectares e estão localizadas próximo ao pequeno município de Senador José Porfírio, no Pará, com apenas 13 mil habitantes.
Estas unidades representam duas categorias com regimes de utilização diferentes, explica Coltro. “Queremos dotar a região com políticas de conservação, mas ainda não conseguimos mecanismos financeiros para perpetuar estas ações”.
Enquanto o Revis é uma categoria recomendada para espécies que tenham ameaçado o seu sítio de reprodução e se destina à proteção da biodiversidade encontrada na região; a RDS é uma zona do entorno do refúgio de vida silvestre e reúne as ilhas do rio Xingu, assim como parte da comunidades que vivem à beira do rio e desenvolvem a pesca como principal atividade econômica.
Um dos potenciais da região identificados é o conjunto de cavernas e sítios arqueológicos que indicam aqueles territórios como áreas habitadas por grupos indígenas no passado.
No dia 28 de novembro de 2013, cerca de 300 moradores do pequeno município de Senador José Porfírio aprovaram em uma consulta pública a criação destas duas unidades. A consulta corresponde a uma etapa posterior à elaboração de estudos ambientais, socioeconômicos e fundiários, que tem sido realizada desde 2009.
Teve início agora em janeiro a fase de elaboração do parecer técnico por parte da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará (SEMA) para embasar a redação da minuta do decreto que cria as Ucs. E, em seguida, o texto será encaminhado à mesa do governador do Estado para assinatura.
“A criação de Ucs tem algumas fases que são gargalos, a gente está na parte delicada. Vamos para a vontade política, a vontade social já tivemos. Até fevereiro, a minuta de decreto chegará à mesa do governador”, comentou Coltro esperançoso de que em março sejam anunciadas as duas unidades.
O analista lembrou ainda que o estado do Pará se comprometeu na criação de 60 milhões de hectares de Ucs e conta, atualmente, com 42 milhões de hectares de áreas protegidas.
Após a fase de acompanhamento político e de criação das Ucs, terá início a etapa de implementação destas áreas protegidas com pesquisas, elaboração do plano de manejo, criação do conselho gestor e organização das atividades de turismo na região.
Em nota divulgada em dezembro de 2013, a Norte Energia, consórcio responsável pelas obras de Belo Monte, informou que apoia a criação de Ucs nas praias do arquipélago do Tabuleiro do Embaubal, no sudoeste paraense.
“A iniciativa faz parte do Plano de Conservação de Ecossistemas Aquáticos executado pela Norte Energia (…) que mantém equipes de pesquisadores no local. Para atender ao trabalho de monitoramento dos berçários e dar suporte à elaboração de estudos, a empresa construiu uma base de apoio, com alojamentos e acesso à internet”, informou o comunicado.

Fonte: O ((eco))
http://www.youtube.com/watch?v=mqNqdKjDmuY 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ibama devolve 55 macacos-prego ao ambiente natural

O Ibama realizou, entre os dias 21 e 22 de janeiro, a soltura de 55 macacos-prego. Os animais deixaram o cativeiro onde viviam, alguns há mais de dez anos, no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, em Seropédica, Rio de Janeiro. Eles foram levados para Guadalupe, no interior do Piauí e reintroduzidos no ambiente natural de ocorrência da espécie, em ilhas formadas pelo lago da Usina Hidrelétrica da Boa Esperança.
http://www.ibama.gov.br/images/noticias_ambientais/janeiro2014/projeto_sapajus_foto_rvasconcellos_250114_rvas1054.jpg
Segundo a analista do Ibama e médica veterinária, Taciana Sherlock, desde setembro do ano passado, técnicos do Instituto se mobilizaram para que todas as condições necessárias ao transporte fossem atendidas. “Há quatro meses estamos trabalhando na montagem da logística pra levar esses animais, na reabilitação pra soltura. Eles passaram por exames de saúde pra avaliar a presença de doenças como tuberculose, raiva, herpes. Foi feito todo preparo pra levá-los de volta pra natureza”, diz.
A soltura faz parte do Projeto Sapajus (Macaco-prego), do Ibama, iniciado em 2009, na Paraíba, que destina animais dessa espécie para ilhas, que limitam o espaço de convivência, criando um ambiente de semiliberdade. Um dos idealizadores, o analista do Ibama e médico veterinário Paulo Wagner, relata que, com essa, já somam mais de 15 solturas, totalizando 250 animais devolvidos à natureza. Paulo diz que a opção por ilhas em áreas de proteção ambiental tem o objetivo de proporcionar um ambiente mais seguro para os animais. “Ali é um local em que eles têm mais tranquilidade, mais segurança, sem predadores. Depois de muito tempo vivendo em celas, eles vão viver um bom tempo nessas ilhas, num ambiente natural de novo”, diz.
Os animais serão monitorados durante três meses para avaliar a adaptação ao local. Segundo Paulo Wagner, como eles não estão acostumados com a vida selvagem,  passam por um período de experimentação, mas reaprendem a sobreviver de forma natural. Ele diz ser importante que esses macacos não tenham mais contato com humanos. “Algumas pessoas acham que os animais vão passar fome porque nas ilhas não há frutas, mas, na verdade, na natureza eles não se alimentam de frutas, eles comem folhas, sementes, raízes, ovos, insetos, essa é a alimentação natural deles, é importante que ninguém interfira”, afirma.
http://www.ibama.gov.br/images/noticias_ambientais/janeiro2014/projeto_sapajus_foto_rvasconcellos_250114_rvas0998.jpg
Parcerias com órgãos públicos e empresas privadas foram fundamentais para o sucesso do trabalho. Para enfrentar o trânsito de Seropédica até o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quatro carros do Ibama, que transportavam as 11 caixas com os animais, foram escoltados pela Polícia Rodoviária Federal. A empresa TAM Cargo cedeu espaço para o transporte das caixas em três voos comerciais que foram do Rio de Janeiro à Teresina. E a Força Aérea Brasileira realizou o restante do trajeto de 300 km até o Aeroporto da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) em Guadalupe.
Os Centros de Triagem de Animais Silvestres são locais especializados em receber, identificar e fazer a destinação apropriada de animais provenientes de resgates, apreensões do tráfico e de entregas voluntárias da população. O Ibama possui 23 Cetas em todo o país. Segundo o analista do Ibama e médico veterinário, Daniel Neves, a primeira opção de destinação de animais é a soltura, mas em alguns casos isso não é possível. “A gente sempre tenta dar prioridade à devolução dos animais pra natureza. Em casos de isso não ser possível, procuramos outros locais, como criatórios ou zoológicos, locais onde podemos colocar esse animal na melhor situação possível, já que ele não pode retornar para o ideal, que seria o habitat dele”, diz.
Vinícius Mendonça
Ascom/Ibama
Fotos: RVasconcellos

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Pedro Martinelli conta a história de duas imagens e um personagem


Aquela é a fotografia da minha vida. O sujeito aparece, da um pulo na minha frente e está feita a foto. Aquela é uma chapa maravilhosa.
Pedro Martinelli conta a história de duas imagens e um personagem que marcaram sua vida e trajetória como fotógrafo. A primeira, de 1973, foi feita na expedição de contato dos irmãos Villas-Bôas com os Panará; a segunda é um retrato de Sokrit Panará em seu reencontro com Pedro Martinelli, mais de vinte anos depois.
Essas e outras fotografias podem ser conferidas na exposição “Povos Indígenas no Brasil 1980-2013″, na praça externa do Museu Nacional da República, em Brasília, até 19 de dezembro de 2013.
Fonte: ISA – Instituto Socioambiental

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Ibama apreende 1,8 mil toras retiradas de áreas indígenas; apreensão é uma das maiores no país

Ibama apreende 1,8 mil toras retiradas de áreas indígenas; apreensão é uma das maiores no país
Cerca de 1,8 mil toras de madeiras nobres foram apreendidas durante uma ação de fiscalização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na região de Aripuanã (a 860 km de Cuiabá). De acordo com o Jornal Hoje, a madeira foi apreendida no distrito de Conselvan, um assentamento instalado entre a reserva dos índios Araras e o do território dos Cintas Largas. A destruição é tamanha que assustou até mesmo os fiscais. Só para transportar a madeira foram necessárias mais de 160 viagens de caminhões e essa seria uma das maiores apreensões já registradas no país.

Falhas no monitoramento e fiscalização são alvos de debate entre secretários e ministra

“Essas madeiras, às vezes, são esquentadas até de forma duvidosa e fraudulenta, com os planos de manejo que existem no entorno da terra indígena”, afirma Antonio Carlos de Aquino, coordenador regional da Funai ao Jornal Hoje.

O problema, segundo a Funai, é que muitos proprietários que não têm mais floresta, vendem essas autorizações a donos de serrarias. É com essa documentação que eles legalizam as toras que retiram de terras indígenas.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso, que fornece as autorizações para corte de madeira, se defende e argumenta que a pasta notifica a Funai para emissão de certdões administrativas sobre a questão. Ratifica ainda que os planos de manejo são bem instruídos, mas que é impossível impedir que todas as pessoas cometam crimes ambientais.

Sistema Prodes

Pará e Mato Grosso lideraram, mais uma vez, recente ‘ranking’ de desmatamento da Amazônia divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente. A pesquisa, divulgada na última semana, aponta que Mato Grosso destruiu 1.149 quilômetros quadrados e figura como o ‘segundo’ lugar da listagem. Já o Estado do Pará, que desmatou uma equivalente a 2.379 quilômetros quadrados aparece em primeiro.
RETIRADO:  http://www.olhardireto.com.br

Os riscos e as oportunidades de explorar xisto na Amazônia

Nesta semana, a ANP realizará um leilão de direitos de exploração de 240 blocos do território nacional, incluindo áreas amazônicas
Crianças e jovens da aldeia Soles, comunidade matsé do lado brasileiro do Rio Javari. Lideranças indígenas afirmam que as notícias da exploração de gás não chegaram lá (Foto: Fellipe Abreu)
A rotina começa com o nascer do sol no Maronal, uma das comunidades indígenas mais isoladas do Estado do Amazonas. Não há luz elétrica. Nem estrada. Os moradores dormem e acordam cedo. As crianças correm e brincam peladas no rio. As meninas escondem o rosto, tímidas ao ver um desconhecido. As mulheres vêm das roças trazendo algum alimento. Os pais de família, que não têm muita carne guardada, voltam em grupo da madrugada de caçada no meio da selva. O menu do dia é banana e mandioca cozida de manhã, banana e mandioca assada com carne de macaco-prego no almoço e carne de anta com mingau de banana no jantar.
A aldeia, com cerca de 300 habitantes da etnia indígena marubo, fica no extremo sul do Estado, quase na divisa com o Acre. Para chegar aqui, são sete dias de barco desde Tabatinga (na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru). O local fica na segunda maior reserva indígena do país, a do Vale do Javari. Além dos marubos, abriga comunidades matsé, matis, canamari, culina, corubo e também de índios isolados – tribos indígenas que, em pleno século XXI, permanecem sem contato com a civilização. As distâncias são medidas em dias. Jornal não chega. Televisão não tem. E rádio, só da Funai. As notícias demoram a chegar. Uma delas pode mudar radicalmente a vida dos moradores locais.
Nos dias 28 e 29 de novembro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizará um leilão de direitos de exploração de 240 blocos do território nacional. Nove deles estão na Bacia Sedimentar do Acre, que compreende os municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Porto Walter e Rodrigues Alves, no Acre; e Guajará e Ipixuna, no Amazonas. Esses blocos amazônicos somam 2 milhões de hectares (o equivalente a metade do Estado do Rio de Janeiro), situados entre unidades de conservação e terras indígenas. O objetivo é abrir áreas para exploração privada de gás de xisto na região.
O potencial desse gás ganhou importância mundial graças a novas técnicas de extração, que tornaram os Estados Unidos quase autossuficientes em energia. E incentivaram uma corrida global para a exploração do xisto. A exploração é mais complicada que do gás natural de petróleo. O gás de xisto não está solto em bolsões no subsolo, mas impregnado no material rochoso. Para retirá-lo, é preciso primeiro furar um poço até a camada de xisto, a quilômetros de profundidade. Lá, a perfuração se ramifica horizontalmente, abrindo até dez túneis que podem chegar a 3 quilômetros de extensão. As paredes desses túneis são revestidas de concreto. Em seguida, explosivos promovem várias explosões nesses túneis, para fracionar a rocha de xisto. Finalmente, é injetado no poço um jato de alta pressão com uma mistura de água, areia e produtos químicos, para liberar o gás. Esse sistema, chamado de fraturamento hidráulico (em inglês, fracturing), é o mais eficiente.
A exploração na Amazônia traz riscos. As perfurações e as explosões do poço podem gerar contaminação dos lençóis subterrâneos de água. A produção exige grandes quantidades de água para injetar nos poços. A água contaminada volta do poço e pode vazar, sujando os rios da região. “A rocha impregnada de xisto também contém óleo”, diz o químico Jaílson de Andrade, da Universidade Federal da Bahia e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Energia e Ambiente. “No caso de algum vazamento, os rios podem ser afetados.” Boa parte dos peixes da Amazônia tem respiração aérea. Precisa ir à superfície para captar oxigênio. Um vazamento criaria uma película de óleo na superfície da água, sufocaria os peixes e afetaria populações que dependem do rio.
Alguns questionam a falta de estudos prévios para autorizar a exploração na região. “É precipitada a decisão da ANP de abrir os leilões para a exploração de gás de xisto”, diz o físico José Goldemberg, da USP. “Para transformar o gás em energia, precisaria ser instalada uma termelétrica na região e também as linhas de transmissão. Isso geraria mais impactos ambientais.”
Bruno Pereira, coordenador da Funai em Atalaia do Norte, diz que em nenhum momento os indígenas foram procurados. “Eles não tiveram acesso às informações sobre os empreendimentos e não foram consultados sobre os possíveis impactos”, afirma. Segundo uma convenção da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário, os indígenas devem ser ouvidos antes de grandes projetos que afetem suas terras. “Isso não foi feito”, diz Pereira.
Procurada por ÉPOCA, a ANP afirma que, antes de preparar a licitação, “houve a devida manifestação positiva dos órgãos ambientais competentes” e que “as exclusões de áreas recomendadas por eles foram atendidas”. Sobre as terras indígenas, a ANP diz que seguiu as recomendações de um parecer encomendado à Funai.
O Vale do Javari desperta interesses da indústria de energia desde as décadas de 1970 e 1980, quando a Petrobras começou a fazer estudos sísmicos para verificar o potencial da região.  “Dava muito problema com os índios”, diz Sidney Possuelo, da Funai.  Possuelo, conhecido internacionalmente pelo trabalho com índios isolados, conta que os estudos da Petrobras eram feitos próximos das malocas onde viviam tribos sem contato com a civilização.  “Numa oportunidade, um grupo conhecido como corubo (ou “caceteiros”) atacou técnicos que abriam uma clareira na selva.  Um funcionário da Petrobras e outro da Funai foram mortos a golpes de bodurna, daí o apelido do grupo.” Para Possuelo, os estudos tinham impacto ambiental.  “Usavam lubrificantes à base de soda cáustica para auxiliar nas perfurações, e os rejeitos eram jogados em piscinas que, na época das chuvas, transbordavam para os rios.”
Se feita com cuidado e com respeito à população local, a atividade petroleira traz benefícios para todos.  Com uma produção de 41.500 barris de petróleo e de 10,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, a Província Petrolífera de Urucu, da Petrobras, em Coari, a 650 quilômetros de Manaus, rende ao Estado do Amazonas a terceira posição em produção de petróleo terrestre no país.  Gera empregos e receita para o município de Coari.  A operação fica ilhada no meio da selva.  Não há estradas que liguem Urucu a nenhuma outra cidade, para evitar a formação de núcleos urbanos.  O petróleo segue de balsa para Manaus, para evitar oleodutos com possíveis focos de vazamento na floresta.  Depois de perfurar os poços, a Petrobras replanta parte da floresta, usando mudas de espécies nativas.  Cuidados assim deveriam ser tomados na exploração de gás no Vale do Javari.
Por: Felipe Abreu
Fonte: Revista Época

domingo, 24 de novembro de 2013

Câmara aprova em primeiro turno PEC dos Soldados da Borracha



Plenário da Câmara aprovou ontem (5) em primeiro turno a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 346/13 que concede indenização de R$ 25 mil em dinheiro aos chamados soldados da borracha, seringueiros recrutados pelo governo brasileiro em 1943 para produção de borracha durante a 2ª Guerra Mundial. O texto agora segue para votação no Senado.
A proposta também fixa o benefício mensal vitalício a ser recebido em R$ 1,5 mil, atualizados pelo mesmo índice usado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para reajustar as aposentadorias. Atualmente, os beneficiários recebem dois salários mínimos (R$ 1.356,00). Os soldados da borracha foram seringueiros recrutados pelo governo brasileiro em 1943, durante a 2ª Guerra Mundial, para produção de borracha na Amazônia.
O texto aprovado foi o apresentado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que conseguiu a aprovação de um requerimento substituindo a proposta original de autoria da ex-deputada e atual senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Ele garantia aos soldados da borracha os mesmos direitos concedidos pela Constituição aos ex-combatentes que lutaram na 2ª Guerra, como incorporação ao serviço público sem concurso, pensão especial, aposentadoria aos 25 anos de serviço, prioridade na aquisição da casa própria e assistência médica, hospitalar e educacional gratuita.
A proposta aprovada descarta os direitos como incorporação ao serviço público ou aposentadoria especial por se tratar de pessoas em idade avançada.
Por: Luciano Nascimento 
Fonte: Agência Brasil  - EBC
Edição: Fábio Massalli

Ibama impede tráfico de pássaros do Espírito Santo para o Nordeste

O Ibama flagrou traficantes tentando levar mais de 135 espécies de pássaros silvestres do Espirito Santo para Alagoas e Pernambuco. Por meio de denúncia anônima, os agentes ambientais do Ibama encontraram as aves das espécies coleiro, canário-da-terra e caboclinho na área da Usina Paineiras no momento em que os traficantes embarcavam em ônibus de viagem.
Alguns pássaros estavam escondidos no canavial e outros já estavam dentro dos ônibus, mas todos  embalados em pequenas caixas, o que caracteriza também maus-tratos, sobretudo pelo longo período de viagem.
Os pássaros, que seriam comercializados no Nordeste, foram capturados ilegalmente na região da própria Usina por trabalhadores que retornam todos os anos para atividade de colheita de cana-de-açúcar.
O Ibama vai notificar a Usina para dar maiores esclarecimentos.
Michely Zumak
Ascom/ES
Fotos: Rafael Santana